Sexta-feira, 10 de Outubro de 2003

As palavras acompanham a liberdade.
São por vezes o seu arauto pretensioso, outras o seu falso protector.
Quanto ao pensamento podem ser limite, espelho de contradições, janelas e corredores do inevitável desejo de ser livre. Podemos pensar livremente? Aquilo que o nosso intelecto produz será realmente espontâneo, independente; serão as nossa ideias objectivamente nossas?

O certo é que sentimos a necessidade de nos libertarmos do que pensamos. Por isso muitas vezes escrevemos freneticamente como se as palavras escorressem directamente do nosso inconsciente ou de qualquer outro lugar a que não temos acesso livre, directo e lúcido.

É depois de olharmos para os pensamentos já escritos - algo que regurgitámos e que agora nos é exterior - que sobre eles podemos descansar, deles podemos escarnecer; podemos edificar, planear, alhearmo-nos ou novamente neles mergulhar.

Nesta relação incestuosa ( pensamento / liberdade ) está o que se pretende explorar aqui. O devir, o rever, o ecoar. Está algo que nos escapa se dermos demasiada importância à lógica abstracta da razão: o natural, o primitivo, o paradigma que perdemos porque o procuramos sofregâmente.

Sofregamente pomos então espírito ao trabalho. É tempo de tro.blog.ditar o que a mente labora nas desconhecidas cavernas que a sustentam. sejamos troblogditas emancipados dessa escuridão.

Adiante

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