Quinta-feira, 7 de Abril de 2011

ao ouvido

a Lura canta e escorrem-me gotas que suo ao longo do rosto. balanço o ritmo no tronco, usando as ancas como eixo e o chão como batuque, imaginando as ancas dela, em sustenido, os braços que dançam com o ar, o seu sorriso de lua dos trópicos. fecho os olhos e afinal é o teu rosto que sorri, cansado e ledo, como quem constata que, apesar de tão longo o dia, apetece entrar na noite de coração amanhecido. é verão algures aqui dentro, sai-me pelos poros, liquefaz-me as angústias. ai, pousar a cabeça no teu colo, para que se derramem os pensamentos no chão, sem sequer formarem poça. receber das carícias dos teus dedos os caracóis do meu cabelo, dos teus lábios a minha intensa e lenta sede.

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