Segunda-feira, 4 de Abril de 2011

quasar no céu da boca

dançar contigo ao som de glasser. beijos quando a voz cintila, ancas mais próximas a sintonizar o ritmo que se propela, mãos que esvoaçam pelo ar até à cintura, ancoradouro flutuante onde vir à tona, onde naufragar de pulmões acesos, dedos crispados. dançar contigo, fechando os olhos, derretando a distância no calor que tecemos. cantar nos teus lábios uma melodia de mel e fogo. como se a roupa se diluísse em líquido incandescente e os corpos se reinventassem em magma e areia. ficar dançando interiormente, a caminho da nudez, já a pele queimando de cio, as mãos faróis que navegam, horizontais, à procura das marés. dançar contigo, no silêncio de nos escutarmos, a respiração embalando, despertando, entrecortando as imagens que tacteamos um no outro. dançar dentro de nós, as dimensões todas da geografia da carne em imersão que implode e se derrama. topologicamente incoerentes, atravessamos as superfícies e impossibilitamos o volume, demasiados para os corpos que habitamos. saímos e entramos, na dobra do tempo, bebendo a gravitação dos astros, particularmente ondulantes. o suor é luz e a velocidade um buraco branco por onde emergimos para o cosmos da pele. beijamos a cor da dança, reflectindo a espessura do ar. infinitesimais, animais, eclodimos na distância eternamente mais pequena e mais pequena, até estilhaçarmos a saciedade, adormecidos, abraçados, prolongando no sonho a sede de continuarmos unidos em polaridade e desejo, atonais e dissonantes, tendendo para o mais infinito da harmonia.

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