Quarta-feira, 1 de Junho de 2011

infraorbital

tenho saudades dos beijos, das mãos dadas sem pensar, das frases tolas, porque infantilmente atrevidas, dos poemas sobre a noite anterior que se deixam à mão de semear, para que sejam lidos ao acordar, por quem dormiu até mais tarde. do coração que bate pela maior banalidade, uma sms recebida, um beijo de olá, uma palavra afectuosa, uma mão exploradora. tenho saudades do dia passado a fantasiar, da mente flutuando entre as memórias recentes e a antecipação do encontro ao fim do dia, do corpo que não flutua assim, porque apenas pode viver no presente, que não flutua mas parece tornar-se mais leve, a pele em permanente gozo, grata pela mais ligeira brisa, apaixonada pelo toque da roupa, do fio de lubrificação que lembra o constante estado de excitação, da forma como todos os aromas, todas as sensações são mais intensas e vívidas. tenho saudades do carinho mesmo sem que haja carência a suprir, e das cartas e dos emails, e dos abraços que trazem a ternura vigorosa dos músculos e o aroma enebriante da pele, dos abraços que a erecção não permite serem fraternos. tenho saudades das emoções que se alimentam, dos corações em sintonia. e das bocas nos sexos, das noites longas e suadas, dos corpos nus pela manhã, de acordar porque fui abraçado, para voltar a adormecer, da diferença de temperatura entre um e outro corpo, do cheiro a sexo que fica na pele, como um rasto e uma promessa, dos banhos depois do sexo, dos banhos com sexo, do som da respiração a ficar pesada, anunciando o orgasmo, de beijos durante o orgasmo, de beijos que acordam para o sexo, de beijos que prometem sexo, assim que haja paredes ou um pouco de privacidade, de beijos que agradecem o prazer, de beijos durante todo o dia, de beijos em que a língua surpreende, de beijos inesperados, de beijos inoportunos, de beijos demasiado atrevidos, de beijos, de beijos, tenho acima de tudo saudades dos beijos.

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