Quinta-feira, 2 de Junho de 2011

música para o teu corpo

ainda não dancei contigo. com ou sem contact improvisation. custa-me, estranhamente, imaginar-te a dançar. pelo que falámos sobre o assunto e a julgar pela forma como te moves, tenho a certeza de que gostaria muito de te ver dançar, estou convencido de que seria uma visão inspiradora, uma dessas imagens que dão sentido ao big bang e a tudo o que se seguiu. mas a forma como dançamos é tão pessoal, tem uma assinatura tão pessoal, que tudo o que se sabe e imagina sobre a dança em geral é insuficiente enquanto não se viu alguém durante o acto. e nem sempre temos a mesma personalidade, os mesmos tiques, as mesmas hesitações de quando não estamos a dançar. não sei se, dançando, os teus movimentos se tornam mais subtis e suaves, menos intempestivos e vigorosos. se te desinibes mais do que habitualmente. se brincas com gestos de sedução e ambiguidade. se fazes da dança uma comunicação consciente com quem te rodeia. se és uma dessas pessoas que liga o piloto automático, ficando em economia de esforço enquanto vai sondando a população em volta. se és mais como eu, que quando estou mesmo mesmo a gostar da música e da dança, me viro para paisagens interiores, para memórias, para imaginações de coisas impossíveis, fechando os olhos às imagens de quem dança à minha volta mas grato pelo seu calor e proximidade, feliz por partilhar um espaço de prazer, integrado na folia colectiva ao ser, ali, mais indivíduo do que nunca. não sei nem imagino como danças, quando danças com prazer. mas suspeito que será um dos teus prazeres de eleição.

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