em comboios. no caso de ser um desses lugares em que não temos ninguém virado para nós, as luzes estão baixas por ser de noite e se estar num pendular, basta fechar os olhos e deixar as lágrimas escorrer, sentindo-lhes o sal no cantos dos lábios, enquanto o rosto se refresca ao longo dos dois pequenos rios. resulta bem se não se soluçar muito e conseguirmos evitar gestos dramáticos e sons de agonia. alguém mais atento pensará que não será nada de grave e poderá até ficar na dúvida se aquilo é mesmo choro; ou se perceber que as lágrimas são mesmo a sério, o mais certo é que nos deixe em sossego, admirado com, ou admirando o nosso discreto carpir, vendo nele, quem sabe, sinais de alguma nobreza ou candura.
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