Este texto vai ser mais curto do que o tema exigia, vim a casa almoçar e tenho pouco tempo. No emprego que tinha, fico até final do mês. Tudo indica que começo o ano de 2012 desempregado. Como nos últimos dois anos a empresa que me empregava quis poupar uns tostões e não pagou o que devia à Segurança Social, provavelmente não vou ter direito ao subsídio de desemprego. Amanhã, na loja do cidadão, espero esclarecer isto. A minha situação não é dramática. A minha família, de classe baixa, apoia-me totalmente e não vou passar fome. Além disso, tenho uma rede de amigos que me apoiam imensamente e nunca me deixariam ficar a viver na rua. Muitos portugueses nem sequer aparecem nas estatísticas, nem têm o "estatuto" de desempregado. E estão muito mais vulneráveis do que eu.
Dizia o frei Fernando Ventura que esperava que os indignados, que estas pessoas que agora estão numa fase em que nem sabem bem o que querem dizer, de que coisas se querem queixar, embora sintam uma enorme necessidade de protestar, dizia ele que esperava que estas pessoas passassem à acção. Dizia ainda que é preciso que a revolução pacífica se antecipe à revolução violenta. Pois bem, as minhas armas, que se resumem à minha voz e à minha firme determinação, estão prontas. Venha a austeridade. Não me rendo. Não serei pobre no que toca à capacidade de me expressar, não serei pobre no exercício da democracia, não deixarei empobrecer a minha cidadania. Indignados, sejamos mobilizados, participativos, empreendedores e insolentes. Que a raiva ainda sem discurso ou rumo ganhe consistência numa energia construtiva colectiva.
Eu, português e europeu, não devo nada a ninguém, quero que saibam. Não contraí empréstimos nem vícios e os escassos bens que possuo cabem todos no meu quarto. Ando há muitos anos a viver abaixo das minhas possibilidades, abaixo de vários limiares, e acabo o ano a receber 481 euros por mês, antes de ser despedido e não ter sequer direito ao subsídio de desemprego. Sinto que me devem muito, pela forma desastrosa como têm conduzido politicamente o país e a europa e como, perante problemas tão graves, aplicaram cura tão venenosa. E não me resigno a morrer da cura.
Eu, português e europeu, não devo nada a ninguém, quero que saibam. Não contraí empréstimos nem vícios e os escassos bens que possuo cabem todos no meu quarto. Ando há muitos anos a viver abaixo das minhas possibilidades, abaixo de vários limiares, e acabo o ano a receber 481 euros por mês, antes de ser despedido e não ter sequer direito ao subsídio de desemprego. Sinto que me devem muito, pela forma desastrosa como têm conduzido politicamente o país e a europa e como, perante problemas tão graves, aplicaram cura tão venenosa. E não me resigno a morrer da cura.
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