Segunda-feira, 14 de Novembro de 2011

linha cortada

o primeiro magusto em que estive foi em buarcos, andava eu na primeira classe. o último foi em ourense. para ser preciso, o primeiro não foi bem em buarcos, já foi a caminho do cabo mondego, ali quem desvia por uns atalhos que vão dar, para quem for aventureiro e gostar de subidas íngremes, à serra. e o último já não foi bem em ourense, mas à saída, numa zona alta, a que me falta toponímia. para chegar ao sítio onde magustámos, é preciso fazer um carreiro pelo meio das árvores e, de noite, à vinda, viam-se lá em baixo as urbanas luzes aurienses. foi preciso passarem muitos anos, ir subindo a norte, e mais a norte, primeiro para o porto e depois para braga, para perceber como a galiza completa portugal. atravessando o rio, percebe-se que o minho, o alto minho, não acabou ainda, que a cultura de que viemos não se cortou abruptamente. ainda assim, sabe bem ir ao encontro das diferenças, da infatigável sede de baile, e, quando não há baile, que nem sempre há gaitas tocando e nem sempre se está com gente que gosta de bailar, das ruas cheias, das conversas longas, que se cruzam, e das tapas e de que nos tratem por tu, e de que, se acham que somos culturetas, nos digam na cara, sorrindo, com meiguice e descaramento.

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