Sexta-feira, 9 de Dezembro de 2011

frugal e bem nutrido

Haja dinheiro para pagar uma renda e comprar comida. Se houvesse já casa e alguma comida se arranjasse da que se plantasse, então talvez nem fosse preciso tanto dinheiro. Haja o dinheiro necessário para se pagar as contas. A vida neste século é negociar-se o tempo. Quanto tempo queremos, podemos, temos de abdicar para ganhar o dinheiro que precisamos para usufruir do tempo que nos sobra.

Quanto a ocupar o tempo, geri-lo, sabê-lo e fazê-lo precioso, é comigo. Dos que lidam com o dinheiro, dos que estão dispostos a comprar-me o tempo, em troca do meu trabalho, só preciso que me digam quanto tempo querem e que tarefas precisam, que até sou moço bastante versátil, experiente e com uma aptidão enorme em aprender coisas novas.

Há muito que me deixei de dramas. Não preciso que o tempo gasto a ganhar dinheiro coincida com o tempo em que acontecem os grandes momentos da minha vida. Em que me realizo plenamente e sinto o fulgor da felicidade. Sei aplicar-me e atingir objectivos. Sei fazer coincidir a minha necessidade de sobreviver e ganhar sustento, essa imensa motivação, com a necessidade de quem me emprega em ver cumprida a tarefa e os objectivos contratados.

A vida, simples ou complicada, acontece a cada instante, seja qual for a filosofia com que a expliquemos. Hajam amigos, eventos e ferramentas com que exercer a criatividade. Haja tempo, não o gastemos todo no afã de ganharmos dinheiro para podermos viver. Haja onde dormir e o que comer. Cuidadas as necessidades primárias, podemos passar à conjugação da felicidade.  Financeiramente frugais, mas abastecidos de vigor, temos afiada a atenção ao momento ali presente, ao instante em que vivemos. Porque não estamos na precariedade de quem faz tarefa ingrata que só tem sentido uma vez por mês, mas, muito pelo contrário, executamos algo que se realiza em si mesmo, e nos satisfaz inteiramente. O que Csíkszentmihályi chama Flow.

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